quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Ferrovia amazônica é símbolo do abandono

PORTO VELHO - Repercutiu na Inglaterra, Estados Unidos e em Brasília a denúncia feita este mês pela Associação dos Amigos da Madeira Mamoré contra o que caracterizou de "fuga das normas legais" no projeto de revitalização do pátio da extinta Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), fruto de uma parceria entre o governo federal e a Prefeitura da capital do Estado de Rondônia. "As autoridades rondonienses estão cegas e a destruição vai ficando inevitável. Algo precisa ser feito e já!", protesta o arquiteto Luiz Leite de Oliveira, membro daquela entidade.

Foi a Madeira-Mamoré que originou esta cidade amazônica numa das margens do rio Madeira, no início do século passado. Entidades daqueles países e o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) estão pedindo aos órgãos públicos brasileiros a reconsideração do projeto. Acusam as operações para a modificação da área de "facilitar uma obra sem supervisão técnica". A 4ª Câmara Cível do Ministério Público está analisando as denúncias.

Desde 2008, voluntários da associação percorrem a área do antigo pátio de manobras da ferrovia. Agora, eles constatam que trilhos e dormentes foram arrancados do sítio arqueológico. "Nem nos tempos do regime militar, o coronel Jorge Teixeira de Oliveira, último governador daquela era, praticou tamanha insanidade. Aliás, foi graças a ele que o trem voltou aos trilhos para oferecer o trecho turístico entre a nossa estação e a de Santo Antônio, no rio Madeira", disse Oliveira.

A associação aponta falhas no projeto da EFMM e não poupam o próprio Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que administra o setor nos estados de Rondônia e do Acre. Muito menos a Pavinorte Projetos e Construções, a qual é acusada de "total desconsideração e desinformação a respeito da importância do patrimônio ferroviário".
O Iphan se desvencilha de culpa. Seu presidente nacional, Luiz Fernando de Almeida, disse que o sítio arqueológico teria sido destruído no período da ditadura militar.

Fonte: Envolverde/Agência Amazônia - Com informações de Maique Pinto, do Rondoniaovivo

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